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Mensagens

A mostrar mensagens de outubro, 2017

Morro feliz e afoito

Choro pelo leite Derramado Em teu leito Por mim tão amado. Devolvo ao teu peito Aguardado Todo o jeito De me fazer convidado. Foste tu Quem me convidou. Quem me deixou ali Tão alvoroçado. Tenho mais Do que me queres. Tenho mortes E fogo Mais do que me queimes. Ardo no fogo Do teu leito Que é peito De morrer um ser Perfeitamento satisfeito. Morro feliz e afoito E por ti assim amado.

Azul Marinho

Azul é mar E mar é terra, Terra que dá leito ao céu, Como do céu o azul encerra. Se azul toca o mar É do céu que ele chega. Chegaste tu do céu Para pintar a minha terra. Amar é mar Que sobra do céu Azul é a cor de pintar Um coração que é só teu.

A janela de cores fugidias

Eu sei que sabes Que a minha imaginação Não te faz única. A minha imaginação É a liberdade. E tu és a liberdade Mas não a minha imaginação. Então é verdade! É verdade Que não vivo Na tua. Que somos reais E que eu também te sou Liberdade. Que sou a realidade E a crueza. Sou o teu convidado Nesta viagem. Amar-te é sem paragem. É bilhete tirado sem Volta E sem bagagem. É só imaginação minha E a nossa verdade. Escrevo-te um poema Para que saibas Que sou teu. Porque assino Como quem prometeu. Na verdade... Sou eu E tu és onde a minha viagem Começa E não pára. Olho pela janela E as cores Misturam-se e ficam para Trás. É por me dares caminho E por me amares. És todas as paragens Em que não nos apeámos. Imagei seguirmos E ficámos Sentados lado a lado Naquela carruagem. Seguindo. Na verdade ...

Levitar Plumas

A sorte de um Homem é saber Que quem lhe cai Melhor Nunca sobra Da multidão. Antes é A pessoa que enaltece O seu ser. Pelo pior E pelo melhor. Pela espera E a busca Que nunca se esgotou Em ninguém. Presente e para além Do conformismo. Para quê mais do mesmo Quando podemos Nos rever No melhor de nós? No sopro ténue Nas nossas mazelas E crueza acumuladas? Nunca nos devemos Contentar com Apenas as nossas Pequenezas. Com as nossas inferioridades E desconfiança de mérito. Alcancei a vista Vertical Sem sobranceria. Não subi às alturas Da multidão Para a ver melhor. Aceitei que se fossem. Que não fossem. Subi Porque emagreci Em pluma De todas as frustrações E intenções. Levitei E dali a vislumbrei. Não que fosse maior. Não que fosse mais Elevada. Porque para lá da multidão Vivia ela Sem se pôr em bicos De pés. Apenas ela No...

Árvore do Céu

Vou contar-te Um pequeno bem De mim. É este amor que se apodera Assim Da minha pessoa. És tu mais tudo O que de ti, Por ti, Através de ti Orbita no bem das coisas. Vou contar-te Outro pequeno bem De mim. Perdi tanta coisa E tu regas A terra árida que ainda Faz parte do meu mundo Uma árvore que se eleva No deserto. Vou contar-te Mais um pequeno bem De mim. Acho que cresce em mim uma árvore Que toca no céu. Vou contar um bem de ti. És tu o Céu Para onde os meus ramos Se alongam lentamente No meio da terra Árida. E se eu lá chegar no fim Da vida Terei sido em ti Eterno.

Asfalto e vidro aberto

És uma surpresa constante Da minha liberdade. Arriscaria dizer Que és a personificação Dela E eu o amor Que se pode ter por ti Liberdade. Estrada aberta Vidro aberto E crer desperto. Sou mais eu Com tudo que Não é meu E que me dás Sem saberes. Ou saberás? Como não te amar Sempre mais E mais? E mais Liberdade? Ou será Amor?

Mar Canção

E és tu aquela Que apela À minha suave Aterragem. Sou mar bravo Que em ti Se toca de brisa E vontade férrea. Acalmas-me O turbilhão E a maneira Que não controlo Por mim. Ai mulher terra Que faz de um homem Mar O coração acelerar E na tua costa Do nervo Se despojar! Há um equilíbrio Só teu. Só tu No teu ser Que faz do meu, Ser. Mar és tu afinal E eu areia Que foge Por entre os dedos De um mundo se perder. No teu mar sou salga E sabor Pelos oceanos Se distender. Balanço E maré E canção Que me és Mulher. Canção.

Ardem-me os olhos

Ardem-me os olhos Ainda. Ainda choro A chuva que não chegou A tempo. E quanto tempo Isto vai durar? Amar é tão pouco Quando não nos podemos Salvar da morte. Amar é algo do futuro E é sempre melhor amanhã E hoje já foi. Mas ontem E antes não veio A tempo. Nem o vento Da chuva Nem a semente Que a terra precisa. Amei-te Menos do que amanhã. Valha-nos Meu amor Tão somente O amanhã Para fazermos melhor. Amo-te O ventre Do amanhã. O corpo que ausente Pretende o vento Que chame A chuva Lentamente. Semearei em ti Como terra fértil Que és! Como amor Que és! Tu és o futuro E a terra prometida. O fruto E a vida. A chuva que Dos meus olhos Caíram. Faça-se luz verde Para seguirmos Em frente. Prometo! Ainda ardem Os olhos do meu Lamento. Mas prometo!

Rodando

Espero que me quebres O gelo Que passou a nortear Um dos meus polos. Que me dês chão E sul de manter Una a centralidade De mim E para ti. Mas é o gelo Que me mantém rodando De convicção. Já me basta o fogo E a precipitação Que em voltas anteriores Me desabaram. Sou meu Sem deixar de ser De quem me quer bem. Contigo também Se me quiseres nestes Tempos. Translação e veremos O sol. Veremos se desgelo Ou se fico apenas Rodando em mim só. Amo-te e guardo este Sentimento longe Do escaparate. De tudo o que abate A sorte. Haja norte e gelo Que traga o coração Quente. Em frente. Em frente!

Simples são os teus gestos

Simples são os teus gestos. A calma de respirar. O ser no seu Semelhante ser. O desconhecimento Por não ser importante. Sonhas e sonhas Com propriedade. O amor é teu E tu partilhas. Como respiras. Como inspiras a confiança Dos deuses. Tens o universo A teu favor E eu a poeira que se Desloca lentamente Em anos-luz Ao teu centro. Só o sei por fora Até que se faça Universo em mim Por dentro. Prometo Que não passo disso. Um universo imenso Percebendo nada, Senão o lento deslocar Dos nossos intentos. Incenso E reza-se uma fortuna, Uma bruma do que fui E da luz a que me Atrais. E não haverá depois Nada mais. E se houver, Partimos daí para Ser. Talvez um dia seremos Tudo E tudo será começo Mesmo depois de Cada um renascer.

Este leito onde em ti me deito

É este o leito Que me faz aprazível. Que me faz Rendido a ti meu amor E a teu lado me deite. Olhei o mundo E não larguei o teu amor Nem por um segundo. És a âncora Que me mantém Lá no fundo Vir à tona. Respirar de guelra Perder a guerra E tentar de novo. Mergulho para ti E os nossos sonhos. Não perco o meu sentido. O livre-eu. Tanto que se perdeu E ainda não sabe encontrar Tudo. Devia ser mudo E o mundo um museu. Deixar a história Para trás e fazer contigo O futuro. Mas há mais, Há muito mais! E eu um simples plebeu Neste reinado que é de ser Só teu. Vou e venho na maré Do tempo. Se calhar sempre assim. Impertinente Viajante Do tempo perdido. Ganhando o que posso De boa gente E o tempo Por ti oferecido. Sonho agarrado a ti... Desprendido. VAz Dias #palavradejorge