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Ardem-me os olhos

Ardem-me os olhos
Ainda.
Ainda choro
A chuva que não chegou
A tempo.
E quanto tempo
Isto vai durar?
Amar é tão pouco
Quando não nos podemos
Salvar da morte.
Amar é algo do futuro
E é sempre melhor amanhã
E hoje já foi.
Mas ontem
E antes não veio
A tempo.
Nem o vento
Da chuva
Nem a semente
Que a terra precisa.
Amei-te
Menos do que amanhã.
Valha-nos
Meu amor
Tão somente
O amanhã
Para fazermos melhor.

Amo-te
O ventre
Do amanhã.
O corpo que ausente
Pretende o vento
Que chame
A chuva
Lentamente.
Semearei em ti
Como terra fértil
Que és!
Como amor
Que és!
Tu és o futuro
E a terra prometida.
O fruto
E a vida.
A chuva que
Dos meus olhos
Caíram.

Faça-se luz verde
Para seguirmos
Em frente.
Prometo!
Ainda ardem
Os olhos do meu
Lamento.
Mas prometo!

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