Vou escrever uma canção.
Uma com a forma
De um coração.
Coisa lamechas
Para se ler enrolado
Ao serão.
Aquecer com cavacas
E abraço apertado
Em labaredas.
Braço e antebraço
Enrolados na palma da mão.
Dedos rendilhados
Como que fazendo
De napron.
Poderia ser uma canção de mau
Gosto
Ou da pura ignorância.
Mas que importância
Tem isso quando já se
Sabe morrer?
E saber morrer por amor
E reencontrar o seu próprio
Coração?
Canta-se na saudade
E na saída
Duma autoestrada.
Duma viagem
Com vontade de chegar
E dar a alma toda
Que na bagagem
Vinha guardada.
Estive sempre aqui
Mas fui procurar-me
Em ti
Lá para os confins
Do Nada.
Voltei de mim
Para nos encontrarmos
De novo.
Novos
Como em cada nova
Ocasião.
Vim com esta vontade
De te cantar
Mesmo não tendo voz
Ou jeito.
Vim amar-te de novo
Com este poema
Agora tão tarde
Em forma de oração.
Vim encantar-me de ti
De novo minha
Voz
Minha
Amada
Minha
Canção.
"Fazes-me falta! As vezes que guardei Essas palavras em mim. Faltava-me a coragem E perdia-se algo de tanto Que se foi perdendo Pelo tempo. Guardei-as Segurando-me a mim. À mulher que Em mim cresceu. És amável homem meu. Gentil. (Saudade...) E a falta que fazes Enfim. E enfim que to digo. Porque me tenho Em toda E na soma das metades. Fazes-me falta! Porque me completas. Porque um abraço Ou o encosto Do corpo Ou o olhar Ou as conversas Do Ser São a simplicidade De sermos Apenas Amor. Fazes-me falta Se não tiver as tuas palavras. Fico com estas Que são minhas E que sinto como tuas. Desnudas-me O silêncio E a consciência De que somos Esta poesia. Esta falta que de ti Sentia." Fazes-me falta!
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