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Este azul imenso

Desfolhava folhas
De óleos que pintara
Em tempos
De solidão
E de cólera.
Representação que nos
Acalma a arte.
Um certo tipo
De fé,
De religião.
Desfolho o passado
Para não esquecer
O caminho.
A arte de me perder
E reencontrar.
Tomo o caminho escarpado
Ao céu.
Ao cume da montanha
Onde nos sopra a brisa.
Não és segredo
És tesouro de se agradecer
Ao azul imenso.
Arte de te encontrar em mim.
Pintei quadros
Em papelinhos guia.
Pintei óleos de lágrimas
E de esperança
Até este dia.
Não me esquecerei
Do tempo mesmo que ele
Agora pareça não existir.
Não me esquecerei
Das lágrimas que me fizeram
Pintar futuros.
São sorrisos
Que se acautelam de céu
E no tempo
Esse que há-de vir.
Sonhei quadros pintados
Em óleo de carpir.
Carpi até aqui
Este azul imenso
De ti!

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